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O Samsung Odyssey G9 é o monitor gaming definitivo com ecrã curvo de 49 polegadas, resolução Dual QHD 5120x1440, taxa de atualização de 240Hz e tempo de resposta de 1ms. Perfeito para gaming imersivo e produtividade multitarefa.
A caixa do Samsung Odyssey G9 não cabe numa porta normal. A sério. Tive de a desembalar na garagem e subir com o ecrã e o suporte em duas viagens. Esta não é uma análise que começa com especificações técnicas. Começa com uma advertência logística. Este monitor não é um periférico. É uma peça de mobiliário. É um evento. E se estás a ler isto, é porque, tal como eu, a ideia de ter um ecrã que preenche toda a tua visão periférica não te assusta. Pelo contrário, atrai-te. O Odyssey G9 não é para todos. É para os que olham para uma configuração de dois monitores e pensam: "bom, mas e o raio da moldura no meio?".
Durante anos, a solução para quem queria mais espaço de ecrã era simples: comprar outro monitor. Depois outro. Eu próprio já tive três ecrãs na minha secretária, um emaranhado de cabos e braços de suporte que parecia um polvo mecânico. O G9 propõe uma solução mais elegante e, arrisco dizer, mais radical. Substituir tudo por uma única e imensa tela curva de 49 polegadas. A promessa é a imersão total nos jogos e um espaço de trabalho contínuo, sem interrupções. É a concretização do sonho "ultrawide", levado ao seu extremo lógico. Mas será que a prática corresponde à teoria?
Vamos ser diretos: precisas de ajuda para montar isto. O painel de 49 polegadas é desajeitado e, apesar de não ser excessivamente pesado (cerca de 14 kg sem o suporte), o seu formato torna-o impossível de manusear em segurança por uma só pessoa. O suporte, todo em metal, é robusto e pesa uns bons 2 kg. Ele precisa de ser. A base ocupa uma profundidade considerável na secretária, cerca de 30 cm no ponto mais recuado. Se tens uma secretária daquelas mais estreitas, com 60 cm de profundidade, esquece. O ecrã vai ficar demasiado perto da tua cara. Precisas de, no mínimo, 80 cm de profundidade para teres uma experiência de visualização confortável.
Uma vez montado e ligado, o efeito é avassalador. O monitor domina completamente o campo de visão. A curvatura 1000R é muito mais pronunciada do que as curvas 1500R ou 1800R a que estamos habituados. A sigla "1000R" significa que a curvatura do ecrã corresponde a um círculo com um raio de 1 metro. Isto foi desenhado para corresponder, teoricamente, à curvatura do olho humano. Na prática, significa que as extremidades do ecrã estão viradas para ti de uma forma que mais nenhum monitor consegue replicar. O anel de iluminação na traseira, o "Infinity Core Lighting", é um toque estético giro que pode sincronizar as cores com o que está no ecrã, mas sejamos honestos: vais vê-lo poucas vezes, a não ser que o monitor esteja no meio de uma sala.
Um monitor desta dimensão e preço vive ou morre pela qualidade do seu painel e pelo seu desempenho. Não basta ser grande; tem de ser bom. E o G9, na maior parte do tempo, é mais do que bom. É excecional. Mas tem as suas peculiaridades, fruto da tecnologia que utiliza.
O coração do G9 é o seu painel VA (Vertical Alignment) de 49 polegadas com uma resolução Dual QHD de 5120x1440. Pensa nisto como dois monitores de 27 polegadas e 1440p (QHD) colocados lado a lado, mas sem qualquer moldura a separá-los. A densidade de píxeis é de 109 ppi (píxeis por polegada), exatamente a mesma de um monitor QHD de 27 polegadas. Isto significa que a imagem é nítida e detalhada, sem que consigas distinguir os píxeis individuais a uma distância de visualização normal. A experiência em jogos que suportam o formato 32:9 é transformadora. Num jogo como Microsoft Flight Simulator, olhar pelas janelas laterais do cockpit e ver a paisagem a passar é algo que uma configuração 16:9 simplesmente não consegue replicar. Em Cyberpunk 2077, as ruas de Night City envolvem-te. A imersão é, sem exagero, o ponto mais forte deste monitor.
Uma taxa de atualização de 240Hz num ecrã desta resolução era, até há pouco tempo, ficção científica. Hoje, é uma realidade, mas uma realidade exigente. Para conseguires tirar partido destes 240Hz, vais precisar de uma placa gráfica de topo. A sério. Não penses em comprar este monitor se tens algo abaixo de uma NVIDIA GeForce RTX 3080 ou uma AMD Radeon RX 6800 XT. Mesmo com uma RTX 4090, em jogos modernos com tudo no máximo, atingir 240 fotogramas por segundo a 5120x1440 é um desafio. No entanto, mesmo que fiques pelos 120-160 fps, a fluidez é fantástica, e a compatibilidade com G-Sync e FreeSync Premium Pro garante que não terás problemas de screen tearing. O tempo de resposta de 1ms (GtG) é rápido para um painel VA, mas não é perfeito. Em cenas muito escuras com objetos claros em movimento, é possível notar um ligeiro "black smearing" ou arrastamento. É uma característica inerente aos painéis VA, que têm um contraste superior ao dos IPS, mas transições de píxeis mais lentas nos tons escuros. Para 99% dos jogadores, não será um problema. Para atletas de e-sports que vivem e morrem por cada milissegundo em CS:GO, talvez um ecrã mais pequeno e rápido (TN ou OLED) seja uma escolha mais sensata.
O G9 vem com a certificação VESA DisplayHDR 1000. Isto significa que pode atingir picos de brilho de 1000 nits em conteúdos HDR. E isto, meu amigo, faz uma diferença brutal. Jogar Alan Wake 2 na floresta escura, onde a tua lanterna é a única fonte de luz, é uma experiência aterradora e incrivelmente atmosférica. As explosões em Battlefield ou os efeitos de néon em jogos de corridas ganham uma vida e um impacto que um monitor SDR (Standard Dynamic Range) não consegue sequer sonhar em reproduzir. O painel VA ajuda aqui, com um rácio de contraste estático de 2500:1, muito superior aos 1000:1 típicos dos painéis IPS. Os pretos são mais profundos, o que faz as cores vibrantes saltarem ainda mais do ecrã. No entanto, o G9 usa um sistema de local dimming com apenas 10 zonas de iluminação verticais. Isto significa que, por vezes, podes notar um efeito de "blooming" ou auréola à volta de objetos muito brilhantes sobre um fundo escuro (como o cursor do rato). Não é um problema grave e só se nota em cenários específicos, mas é uma área onde monitores mais recentes com tecnologia Mini-LED (como o seu sucessor, o Odyssey Neo G9) são claramente superiores.
Um monitor é um investimento, e raramente o usamos apenas para uma coisa. O G9 foi claramente construído a pensar nos jogos, mas o seu tamanho torna-o numa ferramenta de produtividade muito tentadora.
É para isto que ele foi feito. Em jogos de simulação (corridas, voo), RPGs de mundo aberto e jogos de estratégia, a experiência é incomparável. A visão periférica extra não é só um luxo; dá-te mais informação e aumenta a sensação de presença. No entanto, nem tudo é perfeito. Muitos jogos mais antigos, ou mesmo alguns títulos competitivos, não suportam o formato 32:9. Nesses casos, o jogo corre em 16:9 ou 21:9 com barras pretas nas laterais. Não é o fim do mundo, mas é como ter um cinema em casa para ver um vídeo do YouTube na vertical. Além disso, em jogos de tiros na primeira pessoa muito competitivos, o ecrã pode ser *demasiado* largo. Ter de mover fisicamente a cabeça para ver o mini-mapa num canto e a contagem de munições no outro pode ser uma desvantagem.
Para produtividade, o G9 é um monstro. Podes ter três ou quatro janelas abertas lado a lado, em tamanho real, sem qualquer compromisso. Para quem trabalha com edição de vídeo, ter a timeline inteira estendida pelo ecrã é uma bênção. Para programadores, ter o código, a documentação e o terminal visíveis ao mesmo tempo é um luxo. Ferramentas como o FancyZones da Microsoft (parte dos PowerToys) tornam-se essenciais para organizar o espaço de forma eficiente. A curvatura agressiva ajuda a manter as extremidades do ecrã a uma distância de visualização confortável, mas pode ser um problema para quem trabalha com design gráfico ou arquitetura, pois as linhas retas podem parecer ligeiramente distorcidas, especialmente perto das bordas. É uma questão de hábito, mas é algo a ter em conta.
Com um preço de venda ao público original de 1499.99€, o Odyssey G9 era um produto de nicho, um luxo para poucos. No entanto, com o preço a cair para os 999.99€ na Amazon, a conversa muda. Se pensares que estás a comprar o equivalente a dois monitores gaming de 27 polegadas, 1440p e alta taxa de atualização, o preço começa a fazer mais sentido. Dois bons monitores com estas características podem facilmente custar entre 700€ e 900€. Por um pouco mais, o G9 oferece uma experiência unificada, sem molduras, com uma taxa de atualização superior (240Hz vs. os típicos 144-165Hz) e um HDR muito mais impactante. A questão não é se o monitor vale 1000€. A questão é se o *teu PC* está à altura do monitor. O custo total de propriedade inclui, potencialmente, um upgrade à placa gráfica. Se já tens um PC de topo, este preço é uma excelente oportunidade.
O mercado de monitores gaming evoluiu muito desde o lançamento do G9. Existem hoje alternativas interessantes que deves considerar.
A primeira é o Dell Alienware AW3423DWF. Este monitor usa um painel QD-OLED, que combina o melhor dos mundos OLED (pretos perfeitos, tempo de resposta instantâneo) com a pureza de cor dos Quantum Dots. A qualidade de imagem é, objetivamente, superior à do G9. No entanto, é mais pequeno (34 polegadas), tem um formato 21:9 menos imersivo, uma resolução inferior (3440x1440) e uma taxa de atualização de "apenas" 165Hz. O preço é semelhante, por volta dos 1000€. A escolha aqui é entre a qualidade de imagem superior do Alienware e a imersão e tamanho avassaladores do G9.
Outra alternativa é o LG UltraGear 45GR95QE-B. Este é um gigante de 45 polegadas, também com um painel OLED e 240Hz. A sua vantagem é o tempo de resposta instantâneo do OLED e a curvatura acentuada de 800R. O grande problema? A resolução é de apenas 3440x1440 num ecrã de 45 polegadas. Isto resulta numa densidade de píxeis muito baixa (83 ppi), o que torna o texto e as imagens visivelmente menos nítidos do que no G9. É uma troca difícil: movimento perfeito e contraste infinito versus a nitidez do Odyssey G9.
O G9 original consegue, assim, manter-se relevante. Oferece um equilíbrio que os outros não conseguem: tamanho massivo, alta resolução e uma taxa de atualização muito elevada. Não tem a qualidade de imagem de um OLED, mas a sua nitidez e brilho HDR são trunfos poderosos.
O Samsung Odyssey G9 não é um monitor sensato. É um produto de excesso. É grande, pesado, exigente e caro. E, em certas condições, é absolutamente glorioso. Para o jogador que se quer perder nos mundos de Red Dead Redemption 2 ou sentir a velocidade em Assetto Corsa Competizione, não há nada que se compare a esta experiência imersiva. Para o profissional que vive do multitasking, é uma ferramenta que pode genuinamente aumentar a produtividade. Mas tem os seus compromissos: a necessidade de um PC potente, o espaço que ocupa na secretária e as pequenas imperfeições da tecnologia do painel VA.
Ao preço atual de 999.99€, muitos destes compromissos tornam-se mais fáceis de engolir. Deixa de ser um sonho inatingível e passa a ser uma compra ponderada, embora extravagante. Se tens o espaço, o hardware para o alimentar e o desejo por algo que vai para além do comum, o Odyssey G9 continua a ser uma das peças de tecnologia mais impressionantes e divertidas que podes colocar na tua secretária.
Sim, mas apenas se te enquadrares num perfil específico. Se procuras a máxima imersão em jogos de simulação e mundo aberto, se precisas de um espaço de trabalho gigante e contínuo, e se tens uma placa gráfica de topo (RTX 3080/4070 ou superior) para o alimentar, o preço promocional de 999.99€ torna-o numa compra fantástica. Se jogas maioritariamente e-sports competitivos, tens uma secretária pequena ou um PC de gama média, deves procurar outras opções.
Depende da tua prioridade. Se valorizas mais a qualidade de imagem (cores, contraste, tempo de resposta) do que o tamanho e a imersão, o Dell Alienware AW3423DWF com o seu painel QD-OLED de 34 polegadas é provavelmente a melhor escolha no mercado. Se queres um ecrã grande com a tecnologia OLED, o LG UltraGear 45GR95QE-B é uma opção, mas tens de estar preparado para uma perda significativa de nitidez devido à sua baixa densidade de píxeis.
Atualmente, o preço de 999.99€ na Amazon é extremamente competitivo, representando um desconto de 500€ sobre o preço de venda recomendado original. É improvável encontrar um preço significativamente mais baixo para um produto novo. No entanto, é sempre boa ideia usar comparadores de preços e estar atento a promoções sazonais, como a Black Friday, onde podem surgir oportunidades semelhantes noutras lojas. Dada a sua idade, o mercado de usados pode também ser uma opção a considerar.
"Se procuras a experiência de gaming mais imersiva possível, o Odyssey G9 é imbatível. A curvatura 1000R e o ecrã ultra-wide substituem facilmente dois monitores."